Data de postagem: 29/08/2016 19:08:16

Nossa Responsabilidade Política

"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa" (Mateus 5.13-16).

Em seu livro "Cristianismo e Política", o bispo anglicano Robson Cavalcante afirma que ?não há nada mais cientificamente inexato e conceitualmente impossível do que a pretensão de ser apolítico?.
O ser humano é inerentemente político. O termo vem de "polis" - palavra grega para "cidade" ou lugar onde as pessoas convivem e expressam suas ideias e interesses. Assim, em sua origem, o termo "política" refere-se aos assuntos de interesse dos/as cidadãos/ãs. Em qualquer comunidade, por menor que seja, qualquer povoado; distrito; cidade ou país existem questões que afetam a cidadania em seu conjunto.
Nosso chamado para sermos discípulos/as de Jesus vem acompanhado de um desafio de brilhar nos lugares mais escuros. O chamado de Jesus para os/as seus/suas discípulos/as de ser sal da terra e luz do mundo cobre todos os aspectos da vida.

Assim, o fato de sermos cidadãos e cidadãs do reino de Deus não nos exime das responsabilidades com relação à nossa cidadania terrena. Na verdade, o/a cristão/ã tem dupla cidadania e deve agir com responsabilidade com relação às duas.

Lembremo-nos, porém, que jamais podemos cair na armadilha de substituir a pregação e o testemunho do evangelho pela ação e envolvimento político. Precisamos reconhecer que a política jamais será um instrumento da salvação eterna. Ainda que devamos agir politicamente por mudanças e melhorias na sociedade, nossa responsabilidade maior é fazer discípulos de Jesus através da pregação do evangelho e do testemunho pessoal. (Mateus 28.16-20). Sem um relacionamento pessoal com Jesus, as pessoas ainda estarão perdidas.

Em suma, nossa responsabilidade como igreja cristã e protestante é "afirmar o senhorio de Jesus Cristo na história. A luta por um sistema mais justo ou por leis mais justas não pode ser travada à custa do esquecimento de que é necessária a graça de Deus para transformar o velho homem. E que qualquer mobilização ou ação política deve começar de joelhos" (Robson Cavalcanti).

"Se esse meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar; orar; buscar a minha face e se arrepender dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus; perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra" (II Crônicas 7.14).

Que Deus nos dê discernimento para as eleições que se aproximam.

Bispo João Carlos

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